A história do fogo

Havia uma vez, um homem que estava contemplando as diversas formas com que a natureza opera e que descobriu, em conseqüência de sua concentração e aplicação, a maneira adequada de fazer fogo.
Esse homem chama-se Nour. Decidiu ir de uma comunidade a outra, exibindo a sua descoberta.
Nour transmitiu o segredo a muitos grupos de pessoas. Alguns souberam tirar proveito de tal conhecimento. Outros por considerá-lo perigoso, deixaram-no de lado, antes mesmo de refletirem um momento para compreender quão útil lhes poderia ser aquela descoberta. Finalmente, uma tribo para a qual Nour fez uma demonstração reagiu presa a um temor indescritível e se lançaram contra ele e o mataram, convencidos de tratar-se de um demônio.

Transcorreram alguns séculos.

1. A primeira tribo, que havia aprendido a fórmula do fogo, reservou tal segredo para seus sacerdotes, que permaneceram assim influentes e poderosos enquanto o povo se congelava.
2. A segunda tribo esqueceu a arte, passando em troca, a adorar os instrumentos.
3. A terceira idolatrou uma certa imagem de Nour, por ter sido ele quem os instruíra.
4. A quarta preservou em suas lendas a história de como fazer fogo; alguns acreditavam nela, outros não.
5. A quinta comunidade realmente fez uso do fogo, e este lhes tornou possível aquecer-se, cozinhar seus alimentos, e fabricar todo tipo de artigos úteis.

Depois de muitos e muitos anos, um homem sábio e um pequeno grupo de discípulos acharam-se em viagem santa pelos territórios daquelas tribos. Os discípulos do sábio mostraram-se surpresos com a variedade de rituais com que íam deparando. E cada um deles dizia ao seu mestre:

“Mas todos esses procedimentos estão apenas relacionados com o fato de fazer fogo, nada mais. Devíamos reformar a mentalidade dessa gente!”
Ao que o mestre retrucou:
“Está bem, então. Reiniciaremos a nossa travessia. Ao final da mesma, aqueles que sobreviverem terão conhecido os problemas reais e como lidar com eles.”

Ao entrar em contato com a primeira tribo, o grupo foi acolhido de forma hospitaleira. Os sacerdotes convidaram os viajantes para assistir à sua cerimônia religiosa de fazer fogo. Quando o ritual terminou, achando-se a tribo em estado de excitação, devido ao jeito que havia presenciado, o mestre disse:

“Alguém quer dizer algo?”
O primeiro discípulo assim se pronunciou:
“Em nome da verdade, me sinto obrigado a dizer algo a essa gente.”
“Se deseja fazê-lo por sua própria conta e risco, pode falar.”, observou o mestre.
Então o discípulo acercou-se do chefe das tribos e seus sacerdotes e disse:
“Eu posso operar o milagre que vocês interpretam como uma manifestação especial da divindade. Admitirão ter incorrido em erro durante anos, caso eu fizer alguma coisa?”
Mas os sacerdotes gritaram:
“Prendam –no!” E o discípulo foi levado para longe dali e nunca mais foi visto.

Os viajantes foram ao próximo povoado, onde a segunda tribo estava adorando os instrumentos de fazer fogo. Novamente um dos discípulos do homem sábio se ofereceu para esclarecer a mente daquelas pessoas. Após ser autorizado pelo mestre, tomou a palavra:

“Peço permissão para falar como as pessoas sensatas. Vocês estão adorando os meios pelos quais algo pode ser feito, e não a coisa em si. Agindo assim, impedem que sua utilidade se concretize e se amplie. Eu conheço a realidade que se oculta por trás dessa cerimônia.”
Essa tribo era formada por pessoas mais razoáveis. Mas mesmo assim, objetaram ao discípulo:
“Você é bem vindo ao nosso meio como viajante e estrangeiro. Mas, como tal, desconhecendo a nossa história e costumes, não pode entender o que fazemos aqui. Está cometendo um erro. Talvez até pretenda extinguir ou modificar a nossa religião. Por isso nos negamos a escutá-lo.”
Os peregrinos partiram dali então.

Quando alcançaram o território da terceira tribo, encontraram diante de cada habitação um ídolo representando a figura de Nour, o fabricante de fogo. Aí o terceiro dos discípulos dirigiu-se aos chefes das tribos, dizendo:

“Este ídolo representa um homem, que por sua vez, simboliza uma capacidade que pode ser utilizada.”
“Pode ser que seja assim, mas penetrar no verdadeiro seguro está reservado a muitos poucos.”, responderam os adoradores de Nour.
“É só para os poucos que possam compreendê-lo, e não para aqueles que se recusam a aceitar certos fatos.”, disse o terceiro discípulo.
“Essa é uma solene heresia e partindo de um homem que nem sequer fala a nossa língua corretamente, além de não ser um sacerdote ordenado em nossa crença.”, murmuraram os sacerdotes da tribo.
E não se concretizou nenhum processo.

O grupo continuou sua jornada, chegando então às terras habitadas pela quarta tribo. E de novo um dos discípulos se dirigiu ao conselho tribal.
“A história de acender fogo é verdadeira, e sei como fazê-lo.”
A confusão se fez no seio daquela tribo, que se dividiu em várias facções. Alguns disseram:

“Isso pode ser verdade, e nesse caso, queremos saber como se faz o fogo.”
No entanto, quando aquela gente foi examinada pelos mestre e seus seguidores, ficou comprovado que a maioria ali estava ansiosa para usar o processo de fazer o fogo em proveito próprio, sem compreender que se tratava de algo destinado ao progresso humano. As lendas deturpadas tinham penetrado de modo tão profundo na mente deles que, aqueles que pensavam poder representar a verdade eram comumente desequilibrados, e não conseguiriam fazer fogo, ainda que lhes fosse ensinado.

Havia uma outra facção que opinava assim: “Naturalmente as lendas não são exatas. Este homem procura apenas iludir-nos a fim de conseguir um posto importante em nosso povoado.”
“Preferimos as lendas como estas se apresentam, pois são a verdadeira base da nossa união. Se as abandonarmos e descobrirmos que essa nova interpretação é inútil, o que será de nossa comunidade?”
Foram as palavras do representante de mais uma facção.
E outros pontos de vista foram apresentados.

Assim, o grupo prosseguiu sua viagem, até chegar às terras da quinta comunidade, onde acender fogo era rotina, e onde também as pessoas tinham outras preocupações.
Aí o mestre disse a seus discípulos:

“Todos vocês têm que aprender como ensinar, pois normalmente os homens não querem ser instruídos. Antes de mais nada, têm que ensinar-lhes que há sempre algo a ser aprendido. Eles se imaginam em condições de aprender. Mas querem aprender o que supõem deve ser aprendido, não o que devem aprender primeiro. Quando tiverem aprendido tudo isso, aí então vocês poderão planejar a maneira de ensinar. O conhecimento sem a capacidade especial para ensinar não é a mesma coisa que conhecimento e capacidade.

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Havia uma vez, um homem que estava contemplando as diversas formas com que a natureza opera e que descobriu, em conseqüência de sua concentração e aplicação, a maneira adequada de fazer fogo.
Esse homem chama-se Nour. Decidiu ir de uma comunidade a outra, exibindo a sua descoberta.
Nour transmitiu o segredo a muitos grupos de pessoas. Alguns souberam tirar proveito de tal conhecimento. Outros por considerá-lo perigoso, deixaram-no de lado, antes mesmo de refletirem um momento para compreender quão útil lhes poderia ser aquela descoberta. Finalmente, uma tribo para a qual Nour fez uma demonstração reagiu presa a um temor indescritível e se lançaram contra ele e o mataram, convencidos de tratar-se de um demônio.

Transcorreram alguns séculos.

1. A primeira tribo, que havia aprendido a fórmula do fogo, reservou tal segredo para seus sacerdotes, que permaneceram assim influentes e poderosos enquanto o povo se congelava.
2. A segunda tribo esqueceu a arte, passando em troca, a adorar os instrumentos.
3. A terceira idolatrou uma certa imagem de Nour, por ter sido ele quem os instruíra.
4. A quarta preservou em suas lendas a história de como fazer fogo; alguns acreditavam nela, outros não.
5. A quinta comunidade realmente fez uso do fogo, e este lhes tornou possível aquecer-se, cozinhar seus alimentos, e fabricar todo tipo de artigos úteis.

Depois de muitos e muitos anos, um homem sábio e um pequeno grupo de discípulos acharam-se em viagem santa pelos territórios daquelas tribos. Os discípulos do sábio mostraram-se surpresos com a variedade de rituais com que íam deparando. E cada um deles dizia ao seu mestre:

“Mas todos esses procedimentos estão apenas relacionados com o fato de fazer fogo, nada mais. Devíamos reformar a mentalidade dessa gente!”
Ao que o mestre retrucou:
“Está bem, então. Reiniciaremos a nossa travessia. Ao final da mesma, aqueles que sobreviverem terão conhecido os problemas reais e como lidar com eles.”

Ao entrar em contato com a primeira tribo, o grupo foi acolhido de forma hospitaleira. Os sacerdotes convidaram os viajantes para assistir à sua cerimônia religiosa de fazer fogo. Quando o ritual terminou, achando-se a tribo em estado de excitação, devido ao jeito que havia presenciado, o mestre disse:

“Alguém quer dizer algo?”
O primeiro discípulo assim se pronunciou:
“Em nome da verdade, me sinto obrigado a dizer algo a essa gente.”
“Se deseja fazê-lo por sua própria conta e risco, pode falar.”, observou o mestre.
Então o discípulo acercou-se do chefe das tribos e seus sacerdotes e disse:
“Eu posso operar o milagre que vocês interpretam como uma manifestação especial da divindade. Admitirão ter incorrido em erro durante anos, caso eu fizer alguma coisa?”
Mas os sacerdotes gritaram:
“Prendam –no!” E o discípulo foi levado para longe dali e nunca mais foi visto.

Os viajantes foram ao próximo povoado, onde a segunda tribo estava adorando os instrumentos de fazer fogo. Novamente um dos discípulos do homem sábio se ofereceu para esclarecer a mente daquelas pessoas. Após ser autorizado pelo mestre, tomou a palavra:

“Peço permissão para falar como as pessoas sensatas. Vocês estão adorando os meios pelos quais algo pode ser feito, e não a coisa em si. Agindo assim, impedem que sua utilidade se concretize e se amplie. Eu conheço a realidade que se oculta por trás dessa cerimônia.”
Essa tribo era formada por pessoas mais razoáveis. Mas mesmo assim, objetaram ao discípulo:
“Você é bem vindo ao nosso meio como viajante e estrangeiro. Mas, como tal, desconhecendo a nossa história e costumes, não pode entender o que fazemos aqui. Está cometendo um erro. Talvez até pretenda extinguir ou modificar a nossa religião. Por isso nos negamos a escutá-lo.”
Os peregrinos partiram dali então.

Quando alcançaram o território da terceira tribo, encontraram diante de cada habitação um ídolo representando a figura de Nour, o fabricante de fogo. Aí o terceiro dos discípulos dirigiu-se aos chefes das tribos, dizendo:

“Este ídolo representa um homem, que por sua vez, simboliza uma capacidade que pode ser utilizada.”
“Pode ser que seja assim, mas penetrar no verdadeiro seguro está reservado a muitos poucos.”, responderam os adoradores de Nour.
“É só para os poucos que possam compreendê-lo, e não para aqueles que se recusam a aceitar certos fatos.”, disse o terceiro discípulo.
“Essa é uma solene heresia e partindo de um homem que nem sequer fala a nossa língua corretamente, além de não ser um sacerdote ordenado em nossa crença.”, murmuraram os sacerdotes da tribo.
E não se concretizou nenhum processo.

O grupo continuou sua jornada, chegando então às terras habitadas pela quarta tribo. E de novo um dos discípulos se dirigiu ao conselho tribal.
“A história de acender fogo é verdadeira, e sei como fazê-lo.”
A confusão se fez no seio daquela tribo, que se dividiu em várias facções. Alguns disseram:

“Isso pode ser verdade, e nesse caso, queremos saber como se faz o fogo.”
No entanto, quando aquela gente foi examinada pelos mestre e seus seguidores, ficou comprovado que a maioria ali estava ansiosa para usar o processo de fazer o fogo em proveito próprio, sem compreender que se tratava de algo destinado ao progresso humano. As lendas deturpadas tinham penetrado de modo tão profundo na mente deles que, aqueles que pensavam poder representar a verdade eram comumente desequilibrados, e não conseguiriam fazer fogo, ainda que lhes fosse ensinado.

Havia uma outra facção que opinava assim: “Naturalmente as lendas não são exatas. Este homem procura apenas iludir-nos a fim de conseguir um posto importante em nosso povoado.”
“Preferimos as lendas como estas se apresentam, pois são a verdadeira base da nossa união. Se as abandonarmos e descobrirmos que essa nova interpretação é inútil, o que será de nossa comunidade?”
Foram as palavras do representante de mais uma facção.
E outros pontos de vista foram apresentados.

Assim, o grupo prosseguiu sua viagem, até chegar às terras da quinta comunidade, onde acender fogo era rotina, e onde também as pessoas tinham outras preocupações.
Aí o mestre disse a seus discípulos:

“Todos vocês têm que aprender como ensinar, pois normalmente os homens não querem ser instruídos. Antes de mais nada, têm que ensinar-lhes que há sempre algo a ser aprendido. Eles se imaginam em condições de aprender. Mas querem aprender o que supõem deve ser aprendido, não o que devem aprender primeiro. Quando tiverem aprendido tudo isso, aí então vocês poderão planejar a maneira de ensinar. O conhecimento sem a capacidade especial para ensinar não é a mesma coisa que conhecimento e capacidade.